Neste mundo em transformação, vários conceitos precisam ser revisitados, revisados ou no mínimo lembrados, mas um em especial eu queria usar para mensagem de fim de ano que faço desde 2005.

“Não tente ser uma pessoa de sucesso. Em vez disso seja uma pessoa de valor”.

Esta frase representa o que considero o antídoto para o conceito mais deturpado hoje no planeta, que é SUCESSO. Sucesso se tornou sinônimo de ostentação, ou de poder egoísta, uma luta insana por ter mais, por mandar mais, por aparentar ser mais. Esse sucesso vazio e insustentável para qualquer ser humano leva a uma vida doentia, isolada, e alimenta a ganância, uma das distorções éticas e morais mais danosas à humanidade.

Para falar de sucesso, quero revisar minha história sob um outro ponto de vista do que tenho divulgado nestes anos. Vamos lá. Tenho 60 anos muito bem vividos e fui seduzido por um bom período desta trajetória pela busca por esse tipo de sucesso. Até tentei me tornar ganancioso, mas não estava na minha essência ser assim. Sempre fui otimista e idealista, sempre acreditei que viver de forma solidária era bem mais inspirador do que viver solitário. Tentei este tipo de sucesso insustentável, e adoeci o corpo e a alma. Isso aconteceu até os meus 40 anos. Busquei este pseudo-sucesso, não valorizava como devia a família que tinha, os amigos que conquistei, a relevância que tinha como ser humano. Nada era suficiente. Na realidade não me apropriava de nada, pois no fundo não encontrava o meu lugar no mundo. O que percebo hoje é que não achava este lugar por querer me comparar com outras pessoas em vez de seguir os caminhos da minha essência, da minha alma. Esta loucura me retirou da vida aos 40 anos.

Neste período que adoeci e fiquei inerte no sofá da minha casa por 10 meses, aprofundei minhas reflexões na mesma proporção em que perdia meus bens materiais. A crise existencial veio de forma profunda e me perguntei: “Quem sou EU”?

Quem já fez sessões comigo sabe que esta é uma das perguntas que faço para meus Clientes em algum momento, e o motivo é que esta foi a pergunta que me levou a uma sábia frase de Chico Xavier, que diz: “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”.

Esta frase voltou a minha lembrança neste final de ano, e fui sensibilizado a rever minha trajetória por um grande amigo chamado Fabio Madia. Suas orientações em relação aos meus negócios me levaram obrigatoriamente, como também faço quando oriento pessoas, a olhar para dentro de mim, me rever como pessoa, perguntar novamente quem sou eu. Doeu, mas percebi para alguém como eu que, sempre está disposto a se renovar, a melhorar, que era uma excelente oportunidade para obter uma resposta diferente da que tinha dado há anos atrás. É impressionante a facilidade que temos de nos acostumar a sermos como sempre fomos, apesar de a cada dia ampliarmos nossa consciência em um mundo que muda a cada segundo. Percebi que minha perspectiva de mim mesmo, da minha história e do mundo tinham mudado muito. Percebi que sair do sofá, sair da depressão paralisante, foi uma prova de disciplina e resiliência sim, dura, mas que antes de tudo foi a oportunidade que tive de iniciar uma nova etapa na vida, uma etapa com mais sentido, orientada por um propósito maior.

Revendo essa história da minha vida sob um ponto de vista mais alto, percebi que não fui uma Fênix que renasceu das cinzas como sempre coloquei em textos e palestras, mas sim uma pessoa que acreditava que o mundo podia ser melhor, alguém que literalmente tirou “a bunda do sofá”, alguém que queria acreditar no mundo, mas que precisava coragem para, antes de mudá-lo, mudar a si mesmo. Percebi que o que me fez sair do sofá foi a vontade e a esperança inconsciente de querer amar as pessoas, no qual o conceito de amar pra mim é o desejo altruísta de construção do outro. Percebi que o que se quebrou foi meu ego, e com isso minha alma pode finamente começar a ser ouvida. Comecei a desenvolver o que chamo de musculatura espiritual, ou a capacidade de fraquejar sem se sentir fraco, de acreditar mesmo que pareça sonho, mas principalmente que é de pessoa em pessoa que mudamos o mundo.

Essa também foi a oportunidade de perceber como somos arrogantes, ao acharmos que temos controle sobre nossa vida, nossa saúde ou nosso dinheiro. Bobagem! Hoje estou saudável, daqui a pouco posso estar morto ou doente, e por aí vai com as outras instâncias da vida. Instâncias permeadas cada vez mais pela inconstância de um mundo em processo de transmutação, e não de transformação. A transmutação não é a transformação de algo antigo em algo renovado ou mudado, mas sim um salto quântico no abismo das possibilidades, do imprevisível, do maravilhosamente novo, e não reciclado. Por isso, precisamos desenvolver neste mundo tecnológico, de organizações exponenciais, musculatura espiritual para forjar em nossa alma a resiliência para acreditar que temos que fazer nossa parte, mas que somos regidos por leis muito maiores. Fiz matemática e ministro workshops de física quântica aplicada à vida e ao trabalho, justamente para mostrar às pessoas que essas leis não precisam ser vistas somente sob a ótica religiosa, podem ser vistas por uma ótica cientifico-espiritual. Uma ótica na qual espiritualidade, para mim, são os comportamentos e valores éticos que podem nos permitir ser melhores na nossa individualidade conectada ao coletivo, à biosfera.

Seguindo na releitura, também percebi que podia dividir a minha vida em 3 etapas.

A primeira etapa foi até aos 20 anos, na qual vivi o ódio de não ter um lugar no mundo, de me sentir rejeitado por ser, ou me sentir diferente, um peixe fora d’agua. Não aceitava a educação linear e repetitiva, ser normal as “espertezas” do futebol, trair a namorada, e por aí vai. Nessa etapa aprendi a sobreviver e lutar pelo que acreditava, mesmo que de forma inadequada.

Na segunda etapa, que terminou aos 40 anos com a minha doença, vivi o poder dos negócios, a força destrutiva da bebida e dos psicotrópicos, a cegueira pela busca de poder e dinheiro, e a crise existencial. Me desconectei completamente da minha alma em busca do sucesso insustentável. Nessa etapa aprendi a força que a derrota pode trazer, a arrogância de achar que tudo e todos devem se curvar a minha vontade, e o amargo sabor da solidão na multidão. O finalzinho dessa etapa foi o gancho para a etapa seguinte, pois a inutilidade de ficar 10 meses em cima de um sofá, de não saber o caminho a seguir, me despertou para uma espiritualidade não religiosa, uma espiritualidade que não ilumina caminhos, mas sim a consciência.

A terceira etapa que vai dos 40 anos até aos meus atuais 60 anos, vivi a saída do mundo da informática e telecom que me dediquei por 28 anos, para o início da busca pela verdade da minha verdade, a busca pelo verdadeiro propósito da minha alma. Continuei a fazer negócios com operadoras de telecom, mas em paralelo já mudava radicalmente de profissão. Em paralelo já me dedicava, à noite e sem retorno financeiro, mas com uma enorme satisfação, a orientar pessoas. Me aprofundei no entendimento do holismo, da saúde integrativa, entender como a física moderna e quântica influenciam nossa vida cotidiana, mas principalmente por começar a fazer a diferença na vida das pessoas. Nestes últimos 20 anos, não mudei a vida de ninguém, mas viabilizei que mudassem suas consciências. Eduquei que precisamos ser protagonistas de nossas vidas, e não vítimas da família, sociedade ou mesmo do acaso, pois não existem coincidências.

Começo agora a quarta etapa da minha vida de forma diferente, pois começo sabendo o que quero aprender e viver. Na realidade quero me apropriar do sentimento de estar vivo. Quero SER SUCESSO e não ter sucesso.

Isso mesmo, SER SUCESSO, pois inicio esta etapa conhecendo meus defeitos, qualidades, meus equívocos, contradições e vontades, e com um legado de transformações de pessoas em seus personagens executivos, empreendedores, em funções de pouca ou muita relevância empresarial, ou mulheres buscando sua essência e seu lugar, ou jovens perdidos num mundo de muita informação e pouca sabedoria. Estou longe de entender este mundo maravilhosamente louco, e os conflitos das pessoas que fazem parte dele, mas já sei o suficiente para me apropriar da minha humanidade, do meu coração, e com isso ser o exemplo para outras pessoas. Começo esta etapa valorizando minha esposa, filhos,  netos, e minha família como um todo, mas também respeitando suas deficiências e história de vida. Me sinto pleno na casa maravilhosa que tenho, com meu estúdio e escritório no fundo da casa olhando para a pitangueira que fica a minha frente. Resignifiquei meu violão que me acompanha desde os 10 anos de idade, entendendo que é uma ferramenta para alegrar a mim e a quem quiser me ver e ouvir. Lembrando da Fênix, estou tendo a oportunidade de transmutar minha vida, e que nunca ressurgi das cinzas, mas do lodo da inconsciência.

Vivo hoje uma etapa que me permite me apropriar da maturidade de um adulto, mas colorida pela alegria de uma criança. Da mesma forma que oriento pessoas a ressignificarem suas vidas, precisei que o Fabio me ajudasse a perceber que precisava parar de me distrair com diversos negócios. Escutei, sofri (pois não é fácil mudar), concordei e comecei a me refazer. Achei que já tinha chegado a algum lugar muito diferenciado de consciência, mas o que percebi é que na realidade desenvolvi a humanidade de me permitir errar, enxergar e realinhar rotas. Como diz a frase que li na MadiaMundoMarketing, “reposicionar ou morrer”.

Termino o ano me reposicionando, além de continuar minhas orientações, começo a focar no que mais amo fazer, que é gerar conteúdos, e transmiti-los em texto, vídeo ou ao vivo e em cores. Adoro ser um observador do meu tempo, de buscar modelos mais sustentáveis e humanos para a sociedade, economia e política. Me empenho há anos para construir uma coletividade mais engajada em causas, e agora vou me empenhar ainda mais neste trabalho que pra mim é um prazer. Chega de distrações, é hora de ajudar a construir uma convivência com relevância e generosidade, uma vida com mais sentido para mim e para todos que quiserem me escutar. Não quero ser um guru, sábio ou dono da verdade, mas nesta quarta etapa quero viver a minha verdade, e orientar pessoas a serem melhores pais, filhos, empresários, executivos, ou seja lá qual for os personagens que representem neste mundo, pois pra mim todos são almas carentes de amor e felicidade.

Acredito na construção de um mundo e um Brasil melhor, mas isso só será possível se tivermos cada vez mais pessoas vivendo a sua verdade, a sua essência, e não arquétipos televisivos ou definidos pela sociedade condicionada, o chamado Matrix. Como dizia meu pai, precisamos abominar a pobreza, pois é inaceitável pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza. Precisamos reescrever esse capitalismo selvagem, que alimentou a corrupção endêmica ou patologias como a crise americana de 2008. Esse tipo de capitalismo que exclui cada vez mais, acaba com a democracia, concentra mercados, e transforma pessoas com seus defeitos e qualidades em deuses com o poder de ditar os caminhos mundiais. O poder corrompe, mas o poder total corrompe completamente. O problema não são as pessoas, mas a distorção deste modelo de concentração de renda. Digo isso nesta minha mensagem pois se colocá-la em redes sociais vão me chamar de comunista, o que mostra a falta de informação de pessoas que confundem sistema político com sistema econômico. Não precisamos de comunismo, socialismo, capitalismo, o que precisamos hoje são de sistemas justos. Precisamos de um sistema econômico inclusivo, e de um sistema político que nos permita bater na porta de quem votamos e cobrarmos suas propostas. Precisamos construir um capitalismo de inserção, que ofereça reais oportunidades a todos, para que a meritocracia seja uma verdade, e não uma palavra solta no ar por quem não quer enxergar que hoje grande parte da população mundial não tem a menor possibilidade de lutar por uma vida digna. A chances estão longe de ser iguais para todos, e se isso não é verdade nossa democracia e capitalismo estão furados.

A transformação precede o novo, que nem sempre é agradável, e por isso resistimos às mudanças, entretanto, estamos ainda iniciando um período apocalíptico da humanidade. Não ficará pedra sobre pedra na economia, na política, na educação. Nada será como antes, tudo está sendo revisto. Muita gente ainda não percebeu essa realidade, pois o tsunami da mudança ainda não molhou os pés descalços de quem acha que ainda está calçado em seus empregos, ou empresas. Não perceberam que seus sapatos estão virando de papel e serão levados por este mundo cada vez mais líquido. Alguns acham que estamos nos curvando a essa instabilidade para vestir as sandálias da humildade, para pagarmos por nossos erros. Eu acredito que estamos sim ficando descalços para sentir o calor e o frio do chão em que pisamos, o mundo real, e com isso nos conectarmos novamente com a mãe Terra, sentirmos novamente respeito por este planeta que temos cuidado com desleixo, bem como todos os seres que o habitam.

Aprendemos pelo amor ou pela dor, e felizmente estamos aprendendo pela dor. Digo felizmente, pois nesta revisão de minha história vi que a Fênix na realidade era apenas um ser humano que tinha que se reciclar como tudo na natureza. Quando um tsunami, terremoto ou qualquer cataclismo ocorre na natureza não é destruição, mas a oportunidade de renovação. Esta é a nova etapa da minha vida que se inicia, e acredito de toda humanidade. Não sou religioso, sou espiritualista, e isso me permite beber da sabedoria de todos os livros sagrados e de todos os conteúdos que possam nos fazer pessoas melhores. Concordo com a Bíblia que estamos vivendo a separação do joio do trigo. Para mim joio é aquilo que não floresce, que não tem vitalidade, e trigo é aquilo que quer florescer e alimentar mas pode não florescer. Sermos trigo que floresce só vai depender de nossas escolhas. Podemos escolher ser joio ao sucumbir na mesmice individualista, insensível, injusta e muitas vezes covarde, ou ser trigo florescendo numa enorme plantação de pessoas que querem não só se auto-alimentar, mas que entendem que fazemos parte de um todo, de um só coração conectado a tudo e todos, e que a separação é apenas uma ilusão da mente.

Concluindo, começo esta quarta etapa da minha vida esperançoso e motivado, às vezes inseguro quanto aos rumos da minha vida. Entretanto, como é bom hoje eu me permitir buscar ajuda, da mesma forma que as pessoas buscam ajuda comigo. É dando que se recebe, e agradeço muito ao Universo por ter pessoas a quem recorrer quando preciso.

É muito interessante chegar nesta etapa da vida em que muitos pensam em se aposentar, enquanto eu estou mudando tudo mais uma vez na minha vida, e com a certeza de que possa ser ainda mais feliz do que sou. Comecei essa minha mensagem falando de sucesso. Hoje sei que sou uma pessoa de valor e por isso SOU uma pessoa de SUCESSO, e com isso posso conquistar bens materiais que tenham significado na minha vida, fugindo do vazio do consumismo.

Por orientação do Fabio Madia não vou mais definir o meu trabalho como Coach, mas sim como sempre fui, uma orientador, um ressignificador de vidas. Daqui pra frente eu como pessoa continuo sendo chamado de Cari (letras minúsculas) ou Paulinho por alguns, e o CARI (letras maiúsculas) será a sigla “Cuidar da Alegria, Ressignificando Indivíduos” que define o meu trabalho como orientador e o meu conceito de produtividade sustentável na vida e no trabalho.

 

Quem sou EU ?

Sou o Cari Mello que É SUCESSO, por ser um marido, pai, avô, amigo que busca inspirar e amar da melhor forma que consegue. Um profissional verdadeiro, intenso e inspirador na orientação para a construção de pessoas para se tornarem também, verdadeiras, intensas e inspiradoras. Sou um cidadão do mundo, pois não acredito em fronteiras, e por este motivo dedico minha vida para a construção de um mundo mais justo. Um ser espiritual que respeita a natureza e todo ser vivo.

Continuo sócio do Pluri que agora é o Espaço Pluri, um cowork de profissionais de saúde e qualidade de vida, e da SBN – Sociedade Brasileira de Netweaving, as duas empresas sustentadas pelas bases filosóficas do conceito CARI. Entretanto, em janeiro, já não serei mais o gestor do Pluri, conduzido pela Cristina, e da SBN, que será conduzida por um irmão de alma que em breve anunciarei. Ano que vem vamos anunciar oficialmente todas estas mudanças.

Um ótimo Natal e um 2018 de transmutação e renovação, e acredite, se você FOR SUCESSO, terá sucesso.

 

Tamu juntu e misturado!!!!

Cari Mello