“Muitas empresas não sabem da importância de cuidar da estética empresarial. É bom lembrar, que quase sempre preferimos o que é belo.”

A palavra “Estética” vem do grego aisthetiké, que significa “aquele que nota, que percebe”. O ser estético é aquele que percebe a “beleza das coisas”, onde beleza pela filosofia do belo fala sobre o “conhecimento sensível”. Ainda falando do que é belo, veremos que para Platão está ligado ao que é “bom”, e pelo idealismo romântico ligado a “manifestação da alma”. Será que podemos ter estética nas empresas ? Isto é, “perceber através da sensibilidade da alma, que podemos criar e viver a beleza do que é bom também na vida empresarial” ? Eu acredito que sim, é vou explicar porque.
Em meu texto anterior “Salário e o terrorismo”, citei um cientista político da GloboNews que disse que falta a juventude causas para se engajarem, e por este motivo, a cada dia mais jovens aderem a ações terroristas. A falta de causas tem outras consequências, como o aumento do vazio existencial expresso no aumento do uso de drogas lícitas como o álcool, as ilícitas como maconha, cocaína e outras, e as compulsões encabeçadas pelo consumo exacerbado e vulgarização do sexo.

Se enquanto humanos somos capazes de criar o belo nas pinturas, teatro, música, integrar ações solidárias e movimentos coletivos, também podemos desenvolver uma cultura empresarial mais estética, mas empolgante, algo que valha a pena se engajar. Para isso, precisamos desenvolver uma visão empresarial mais sensível a sua função na coletividade, e uma convivência integrada que gere significado entre capital e stakeholders. Com isso, iremos produzir buscando lucro financeiro, mas também lucro social. Essa visão empresarial é mais estética, bela e natural, forja uma marca forte por participar da transformação da sociedade. Para quem produz, traz um sentido maior, por saber que seu trabalho leva benefícios a alguém, e em contrapartida, alguém pode produzir também para o seu bem estar. Entretanto, isso não acontece na vida cotidiana.

Se queremos sair desta crise mundial de valores, precisamos desenvolver uma cultura do “significado na produção”, pois tenho certeza que um pedreiro que assenta tijolos para a construção de casas, sabendo que é para pessoas morarem, é mais produtivo e saudável do que aquele que apenas coloca um tijolo sobre o outro sem sentir o significado do resultado de seu trabalho. Como passamos a maior parte de nossas vidas no trabalho, se este tipo de cultura do significado estivesse no DNA da produção, com certeza seria mais prazeiroso, saudável e inspirador trabalhar, e consequentemente viver.

Parece poesia mas não é, levar beleza ao mundo profissional não quer dizer que ficaremos nos beijando e nos abraçando morrendo de amores uns pelos outros, mas sim a possibilidade de viver baseado em valores morais e éticos, e uma visão de mundo mais humana e menos egoísta. Também tenderemos a ser mais transparentes e corretos em nossas disputas do dia a dia, e lutaremos por nossos pontos de vista com argumentos, e não em guerras e brigas políticas nos países e nas empresas. Com uma percepção mais participativa, poderemos valorizar os erros e com isso incentivar a criatividade, isto é a busca por novos caminhos. Essa vivência mais participativa e sensata, permitirá que possamos deixar uma história profissional inspiradora, com reflexos positivos na vida cotidiano, que será um legado para nossos filhos e para a sociedade.

Percebo que queremos caminhar nesta direção, mas temos que transformar a crença de que as coisas sérias não podem ser leves e bonitas, e que precisamos aprender pela dor. Acredito que não precisamos aprender pela dor, pelo sofrimento do desemprego, dos atentados, das guerras, da desagregação familiar, do egoísmo nos condomínios, na insensibilidade no transito, e na angustia de viver uma vida com medo permeada pela solidão na multidão, e a sensação de perigo eminente. Essa visão estética com consciência da vida, é baseada em saber quem somos em essência, em sermos uma marca, seja na vida pessoal ou profissional.

Sabendo quem somos, isto é, nossa cultura, história, personalidade, comportamento e valores, podemos definir como vamos nos apresentar ao mercado, nossa marca pessoal, profissional ou da empresa como uma entidade que interage na sociedade. No caso das pessoas, essa reflexão interior nos impedirá de virarmos um estereotipo, seja de um empreendedor de sucesso, ou ator e atriz de TV. No caso das empresas, resgatando histórias inspiradoras, ´permitirá construir uma imagem diferenciada no mercado. Se esse processo emocional não existir, o produto ou serviço será commodity, definido fundamentalmente pelo preço.

A UNESCO diz que: “Uma vez que as guerras começam na mente dos homens, é na mente dos homens que as defesas de paz devem ser construídas”. Paz é inspiradora, e lembra alegria, beleza, união, bondade, sensibilidade, e principalmente podermos produzir com tranquilidade, segurança e saúde. Precisamos refletir sobre essa nova estética profissional que inspire e engaje, e no caso das empresas, que através de uma imagem bela, limpa, sensível, suportada por uma causa que seduza todos os envolvidos, posso fazer com que a alma do negócio, seja produzir com lucratividade financeira e social. Isto é sustentável !