“Gastamos mais do que podemos, comprando coisas que não precisamos, para na maioria das vezes trabalharmos naquilo que não nos traz satisfação”.

Tenho me perguntado nestes mais de 11 anos atendendo como Coach: “Porque a maioria das pessoas não são plenas em seu trabalho, ou não percebem que poderiam ser mais felizes e produtivas em outra atividade ? Porque muitas vezes trabalham fazendo algo que faz pouco sentido, para receber um salário para comprar produtos e serviços que preencham momentaneamente um vazio no peito ? Porque vivemos está crise de valores mundial, causada pela ganância e o individualismo, tendo como consequência a corrupção e falta de ética ? Porque vivemos neste mundo “descartável”, onde até sentimentos e relacionamentos viram sub-produtos do consumismo ?

Existem várias respostas, mas a que atende a quase todas, é o sentimento de sobrevivência, primeiro nível da pirâmide das necessidades de Maslow. Nossa sociedade evoluiu na ciência, economia, e outros setores, mas não evoluiu na área do significado, na valorização do sutíl, no humano, e na construção de uma vida com propósito. Em relação a propósito, e vida com significado, ainda está longe isso ser verdade na maioria de nossa sociedade, pois nesta área somos homens das cavernas lutando por casa, comida e sensações viciantes. Nesta forma de viver, a vida fica dividida entre um trabalho que esvazia a alma, e buscar algo que possa preenche-la novamente. Vira uma luta que começa na escolha de uma profissão, onde somos induzidos à escolher o que pode dar mais dinheiro ou poder, e não satisfação e felicidade. Enfim uma corrida para encontrar e manter “um lugar ao sol”. Quando questiono essa visão de mundo, escuto que: “a vida é assim mesmo”. Será que não poderia ser diferente ?

Estou lendo um livro do Economista Eduardo Gianetti, e nele li a história do filósofo Grego Diógenes. Este filósofo conquistou uma vida de auto-suficiência, baseada na liberação dos desejos e na valorização da simplicidade. Vivia com um casaco, uma mochila e uma cisterna de argila onde se abrigava a noite para dormir. Intrigado com a forma como este homem vivia, o Imperador Alexandre Magno resolveu ver de perto este estranho ser. Foi até ele e propôs: “Sou o homem mais poderoso do mundo, peça-me o que desejar que te darei”. Diógenes agradeceu, e fez o seguinte pedido: “O senhor poderia afastar-se um pouco ? Sua sombra está bloqueando o meu banho de sol”.

Precisamos construir “um lugar ao sol”, mas isso não se conquista apenas com dinheiro, mas sim aproveitando o que nos é oferecido hoje, no milagre que acontece no momento presente. Tem uma frase que reflete bem esta visão: “Comece hoje, fazendo o que você pode, com aquilo que você tem”. Ela diz que podemos e devemos ser produtivos e felizes AGORA. Isso não é se contentar com pouco, mas é dar significado ao muito que se tem hoje, e que muitas vezes não é valorizado. Planejar o futuro é importante com certeza, mas quantos não fizeram planejamentos para uma vida de sucesso, financeiramente estável e se sentiram vazios, morreram buscando este objetivo que ao longo do tempo se tornou inalcançável, ou encontraram o desemprego. No meu caso, foi uma doença que me tirou de ação e jogou meus planos morro abaixo.

Fui funcionário em empresas até os 30 anos, quando resolvi trocar a estabilidade pelo empreendedorismo. Hoje com 58 anos, depois de tentar acabar com a minha vida, superar diversas perdas financeiras e pessoais e deixado de buscar de forma insana a riqueza e sucesso, aprendi que o segredo da vida está na valorização das coisas simples e do momento presente. Também aprendi a valorizar o que é coletivo, pois sozinhos não fazemos nada, e cansei de viver a “solidão na multidão”. Ganhei e perdi dinheiro nesta trajetória, e aprendi que, o que precisamos está dentro de nós, está ao nosso alcance num gesto, numa percepção da natureza, num abraço, num conselho, numa gentileza, num serviço bem feito. Também aprendi que sou o único responsável por tudo de agradável e desagradável que acontece comigo, e parei de responsabilizar pessoas, governo ou o mundo pelas escolhas equivocadas que fiz. Escolhas baseadas em referências deturpadas de uma sociedade rica em consumo, mas carente de significado.

Todo este aprendizado me fez subir na pirâmide de Maslow, pois a vida ganhou significado quando percebi que meu propósito era “transformar pessoas, para transformar o mundo”, e para isso bastava orientar a pessoa que estivesse ao meu lado com tudo que aprendi. Já faz mais de uma década que me dedico a este propósito, e com isso não uso mais as algemas do consumo sem significado, pois entendi que consumir é ótimo, pois pode melhorar meu conforto e minha performance nas atividades que fazem sentido para mim, mas não me aprisionam mais, pois é ótimo viver com eles, mas sou feliz do mesmo jeito sem eles.

Não sou dono da verdade, mas descobri a minha verdade, e afirmo, que a felicidade está na liberdade de estar disponível para ter tempo de desenvolver sonhos realizáveis, e para isso precisam ser produtivos e sustentáveis. Ter um sonho foi o melhor remédio para superar a minha doença, e os meus momentos de queda.

Reflita sobre o que disse, e sobre o filósofo Diógenes, e verá que “ter um lugar ao sol” é a capacidade de tirar da frente aquilo que nos atrapalha, para ver o que realmente é importante. Hoje mesmo com a vida intensa que vivo, consigo “parar num lugar que tenha sol, respirar fundo e sentir o calor que este simples ato oferece”. Não é simples viver assim, e essa conquista passa por um longo processo de evolução da consciência e auto-conhecimento.

Einstein dizia: “Insanidade é querer fazer a mesma coisa, esperando resultados diferentes”. Se você sente um vazio no peito, dor de estomago, e algum desconforto, tente fazer diferente. Eu não me arrependi !!!!!