Muito tem sido falado sobre sustentabilidade e gestão de pessoas, mas pouco sobre modelos sustentáveis de gestão de pessoas. Em todo modelo sustentável a primeira coisa que precisamos observar é em que prazo queremos alcançar nosso objetivo, pois nada que é sustentável se consegue com visões e ações de curto prazo. O motivo ? Não existem soluções mágicas. Para ser sustentável, tem que ser forte, consistente, e assim como para deixarmos nossos músculos fortes precisamos de dedicação, perseverança, disciplina baseado em nossos limites e potencialidades, da mesma forma modelos sustentáveis precisam seguir essas regras.

O outro conceito muito falado é gestão de pessoas, que na minha opinião é mais do que isso, é cuidar de pessoas, isto é, fazer com que elas sejam saudáveis física e emocionalmente, tenham motivação e propósito para que possam produzir de forma eficiente, duradoura e feliz. Além disso, o gestor precisa ter um viés de líder, mas um líder inspirador, que seja um exemplo de comportamento e motivação, e não um gestor capataz que apenas cobra e controla. Se juntarmos os dois conceitos teremos as bases de um modelo sustentável de gestão de pessoas, que precisa ser a base da nova visão de recursos humanos nas empresas, para que deem um passo além de olhar seus colaboradores como recursos, pois inconscientemente podem ser tratados de forma similar a outros recursos como os financeiros, para serem olhados como profissionais com aptidões técnicas. Como seres humanos no trabalho, com individualizada em seus anseios e angústias.

Nos meus quase 40 anos vivendo no mundo corporativo como executivo e empresário, me deparei com alguns processos patológicos que são considerados normais no ambiente corporativo, ou pelo menos como algo que não pode ser mudado. Exemplo, politicagem. Não existe coisa mais danosa e improdutiva numa empresa do que esse câncer, esse jogo de egos de quem normalmente produz pouco e quer muito. Política de boa vizinhança é saudável, mas ficar fazendo joguinhos para conseguir vantagens, ou mesmo prejudicar alguém é inconcebível. De qualquer forma, “dizem” ser parte do jogo corporativo pois é inerente ao ser humano. Não concordo, pois acredito que o ser humano é maior do que isso, mas para ser uma pessoa melhor precisa de um ambiente propicio para desenvolver habilidades mais nobres.

Acredito que um modelo de gestão de pessoas sustentável precisa observar:

1) Aprimoramento de caráter Trabalhar valores e ética em todas as relações. Construir uma imagem de credibilidade, maior patrimônio que uma pessoa pode ter.

2) Troca sincera entre as partes Colaborar, saber trocar serviços, favores, acolhimentos e angustias. Dar sabendo que receberá em troca, muitas vezes não de imediato. É criar vínculos.

3) Responsabilidade sob o momento presente Estar por inteiro em cada tarefa, conversa ou situação. Fazer o que precisa ser feito, sem se distrair com o passado ou futuro.

4) Visão do todo Transparência para que possa compreender a minha situação, a do outro e a da empresa, para que haja empenho verdadeiro nas urgências, dificuldades e negociações com a empresa. Pressupõe verdade e firmeza de carater.

5) Ser o conselho que quer dar a alguém Ser o exemplo, a referência do que queremos ver no outro. Faça correto, assim além de orientar o outro, poderá cobrar um comportamento similar. Tudo isso leva tempo, e como disse, para ser sustentável não podemos pensar só no curto prazo, temos que aprender a construir bases sólidas com, e entre os stakeholders.

Precisamos criar vínculos que permitam que através da solidez nas relações, uma empresa enquanto grupo de pessoas com aptidões técnicas, possam enfrentar as dificuldades que se apresentam nos próximos anos, não só no trabalho, como também na vida. Cuidar de pessoas na família dá trabalho, mas na empresa onde estranhos se unem para produzir algo dá mais trabalho ainda. Difícil ou não teremos que encarar este desafio para termos profissionais e equipes eficientes, colaborativas, comprometidas e motivadas.

Chega de workshops motivacionais com efeito de alguns dias ou semanas. Temos que nos aprofundar em programas de médio e longo prazo, mas profundos e ao mesmo tempo mais simples para que possam ser aplicados no dia a dia. Só assim realmente conseguiremos ampliar a consciência de colaboradores, inspirá-los a trabalhar motivados por um propósito maior, que os façam ter realmente vontade de produzir.

Na minha visão, precisamos sair do trabalho que parece coisa de escravos, para aprender e ensinar a produzir que é de pessoas livres. Só assim teremos realmente uma mudança de paradigma, e uma sociedade mais equilibrada. É hora de encarar este desafio. Num mundo cada vez com menos recursos, é hora de olhar profissionais como pessoas individualizadas, para fazer uma gestão mais eficiente, e de “olho no olho”. Acreditem, do jeito que as coisa estão caminhando no mundo, é mudar ou sucumbir.